Experimento Corpo Um


Marcelo Gobatto. Experimento Corpo Um, 2008. Imagens da videoinstalação na Galeria de Arte do DMAE - Exposição CASA/CORPO.


Experimento Corpo Um, 2008 de Marcelo Gobatto: o aproveitamento do detalhe arquitetônico da sala onde portais ou pórticos ganham relevo nas paredes e se multiplicam a espaços regulares. No espaço sacrossanto (a brancura rígida prestes a receber o inscrição-pichação) de um desses portais, Gobatto escreve ou rasura a carvão a sua página visual “demoníaca”, escritura do tamanho e da envergadura do corpo, palavra física, que se apaga pelo acúmulo, pela redundância babélica do letrismo gesticulatório e jaculatório. Sentidos que subsumem na pele desse palimpsesto que sai do ar livre das ruas e vem parar, agora embalsamado e um pouco a contragosto, no espaço fechado da galeria. Ao pé dessa parede da épica urbana e sem enredo, o ruído sonoro-visível de um monitor de vídeo de costas para o visitante e de frente para um espelho. Fracasso da comunicação: na totalidade o ilegível da e na parede. Narciso ensimesmado: o cristal da tela do monitor contra um espelho posicionado de modo a não representar o mundo circundante, mas apenas o minimalismo e o descontato de uma pré-imagem entrópica." Ronald Augusto em Estados de Corpo.




Marcelo Gobatto. Experimento Corpo Um, 2008. Vista parcial da videoinstalação na Galeria de Arte do DMAE. Abertura da exposição CASA/CORPO.







Gabriela Picoli

Gabriela Picoli. Fotografia.


Gabriela Picoli. Fotografias. Vista parcial da exposição CASA/CORPO.



"Quanto às fotografias de Gabriela, elas têm como elemento dominante o corpo humano. Este conjunto de imagens teve seus limites determinados por escolhas formais da artista. Elas nos lembram de como este corpo é moldável, adaptável e sempre rico em possibilidades. Às vezes, é um corpo passivo que sofre intervenções na busca de assumir outra forma (quando mantém impressas na pele as marcas destas interferências). Outras vezes, é ativo e acolhe objetos, desenvolve gestos e assume posições. (Claudia Paim, 2005. Trecho do texto "Do estado amoroso à melancolia e vice-versa" no folder da exposição O Estado Amoroso e a Melancolia).
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Klinger Carvalho

Klinger Carvalho. Variação em Vermelho – O Viajante percorre Territórios Incógnitos, (2006). Vista parcial da obra no espaço da Galeria do DMAE. Exposição CASA/CORPO.



"Variações em vermelho - o viajante percorre territórios incógnitos de Klinger Carvalho: mausoléu, jazigo de Exu-Bará; despacho e monumento a Hermes, a divindade grega equivalente ao orixá que preside as zonas de fronteira e as encruzilhadas. Objetos rubros empilhados como que a espera de um traslado. Por isso, convoco Exu e Hermes, entidades do trânsito, da troca, das transações semióticas. Um gradeado pontiagudo interditando a visitação de outros corpos de passagem pelas imediações. O contato só visual; textura intocável do madeirame. Materialidade vermelha na consecução de uma fantasia objetal. Holocausto à vermelhidão, ao apetite dos espíritos, já que, apenas eles podem atravessar o cercado lanceado para beber, na superfície dos objetos, o sangue resolvido numa mise-en-scène congenial à cenografia da tragédia." Ronald Augusto em Estados de Corpo.

Dione Veiga Vieira










"E, por fim, Antesala e sala de recepção de Dione Veiga Vieira: a artista demarca um espaço sacrificial para o corpóreo; o elogio erótico e necrópsico da carne. No entanto, resta um ar espiritual aos instrumentos que promovem o desmanche do corpo animal. Um mundo invisível na escureza dos objetos em negro, iluminados parcialmente pelo prateado das peças metálicas: ganchos, afiador, talheres, etc.




O onirismo planificado do não-boi encarnado na metonímia de uma par de chifres imensos, priápicos, que fazem, por sua vez, o contraponto com as meias femininas, preenchidas com pequenas peças de vidro: pornografemas, desejo em secções. O não-boi: a mesa em brilhante pelagem negra, macia; o assentamento matemático e surreal de coisa quadrúpede.













O conjunto projetado por Dione alude a salas perversas que em sua árdua beleza e em sua precisão à maneira bauhaus, parecem aguardar o peso, a gravidade de corpos em postas, em pêndulos, dependuradas em meias, em pequenos ganchos argênteos, prosaicos e delicados, não obstante o torturante a que fazem alusão. Paixão ou mortificação dos significados. Mas, por outro lado, esses ganchos também estão ali como que à espera de sentidos, significações. Neles o fruidor (agora, essa palavra beira a condição de compósito verbal e suporta uma acepção quase intolerável) poderá dependurar, se assim o desejar, sua vontade de interpretação. A ausência da coisa demanda uma enfiada de nomes possíveis que lutam entre si na tentativa de substituí-la." (Ronald Augusto em Estados de Corpo).



Luciano Zanette

Luciano Zanette. Casa-trabalho, 2008. madeira e asfalto. Obra no espaço da Galeria do DMAE. Exposição CASA/CORPO. Imagem de Luciano Zanette.




Casa-trabalho – metáfora de um corpus social
Seria completamente injusto nos determos somente nas questões formais da obra Casa-trabalho de Luciano Zanette, pois nela podemos observar nitidamente – além de um preciso projeto estrutural e da instigante textura proveniente do asfalto aplicado sobre a madeira – uma poética vigorosa sobre a dicotomia corpo individual & corpo coletivo, realizada de maneira competente pelo artista. Sobre uma antiga escrivaninha – objeto esse que pode nos remeter de imediato tanto à labuta do “estudo” quanto à labuta do “trabalho” – ergue-se imponentemente, a forma basilar de uma casa. Devemos nos deter no importante detalhe de que a casa está sobre uma escrivaninha que apresenta na lateral direita, seis (6) pequenos compartimentos vazios pela ausência das gavetas – vãos esses que parecem formar os degraus de uma escada. É exatamente esse detalhe que enriquece a alegoria construída por Zanette, e que nos leva à reflexão do sistema do Trabalho compreendido não somente como a base do sustento humano, mas como meio de cumprir/escalar etapas e adquirir status na sociedade organizada. Na Casa–trabalho, a casa repousa sobre os alicerces e os patamares (das divisões hierárquicas?) do trabalho representado pela escrivaninha e seus vãos-de-gavetas; – ou, sobre a sua própria "escada". Ou seja, a atividade profissional (ou, a escrivaninha) sustenta o arcabouço da casa (uma estrutura fechada) na sua função de abrigo e, ao mesmo tempo, se mostra (metaforicamente) como uma "escalada" para a aquisição e manutenção desse e de outros bens materiais. Casa–Trabalho é uma Casa/corpo que reflete poeticamente as engrenagens da *sociedade do trabalho. (Dione Veiga Vieira - agosto 2008).


*"A chamada sociedade do trabalho é uma construção social constituída por homens e mulheres no curso do processo de reprodução de sua vida material, na interação social e com a natureza. A sociedade capitalista em que vivemos é uma "sociedade do trabalho" sob a forma social determinada da acumulação do capital". Fonte: Ciência e Cultura.



Laura Cattani e Munir Klamt – (Grupo-Ío)


Laura Cattani e Munir Klamt. Miasmas, 2008. Vista parcial da instalação no espaço da Galeria do Dmae - exposição CASA/CORPO. Nas paredes laterais; desenhos de Klinger Carvalho.




"Miasmas de Munir Klamt e Laura Cattani: o leito resumido à sua estrutura sem carne; a cama flutua no ponto cardeal da exposição. Imagem do sono onde o corpo como que se vaporiza. Alusões ao sonho, ou bem ao pesadelo, pois sobre a cama de ferro (metáfora do espesso entressonho que toma o visitante-espectador?), espécie de esqueleto de uma máquina inconclusa e à deriva, sobram segmentos de espuma-esponja num arranjo que confere ao material um movimento encapelado de ondas-colchões. A turbulência estática do corpo virtual no vazio sem peso e sem fundo de um sono sombrio." Ronald Augusto em Estados de Corpo

Marcelo Gobatto

Imagens de Experimento Corpo Um, (2008) – videoinstalação de Marcelo Gobatto na Galeria de Arte do DMAE - Exposição CASA/CORPO.




Marcelo Gobatto. Experimento Corpo Um, 2008.

CASA/CORPO - Uma Engrenagem Simbólica

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As simbologias da casa engendram uma poética instigante em torno do corpo e têm sido uma constante na produção da arte contemporânea. Seja através de elementos imprescindíveis em um lar, seja pelo aspecto da arquitetura interna e externa, a casa sempre repercute a dimensão humana em seus contextos político-sociais e assim, conseqüentemente reflete o próprio corpo. Porém, não mais limitado em si mesmo.

CASA/CORPO é o desdobramento de uma exposição anterior – Casa Fechada – realizada no início deste ano por um grupo de sete artistas que utilizaram a imagem da casa como metáfora do corpo. Dione Veiga Vieira, Klinger Carvalho, Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo-Ío), Marcelo Gobatto, Gabriela Picoli e Luciano Zanette voltam a apresentar diferentes abordagens sobre o tema em diferentes suportes e linguagens. O resultado é um panorama de obras que apontam para além do próprio corpo, e se expandem nas relações propostas entre corpo individual & corpo coletivo; simbolicamente, entre casa & corpo.


Klinger Carvalho utiliza móveis tais como cadeiras e mesas na construção de esculturas de grandes dimensões. O impacto dessas obras se dá não somente pelo visual das mesmas, mas pelos questionamentos que essas suscitam a respeito das fronteiras entre casa & corpo e também, entre corpo & mundo. Os móveis agregados em blocos e cercados por grades metálicas reforçam a idéia de inacessibilidade do corpo, tanto em relação à conjuntura interna quanto à externa da casa. Os sentidos das obras de Klinger abrangem desse modo, um aspecto crítico diante dos conflitos da vida contemporânea.

Variação em Vermelho – O Viajante percorre Territórios Incógnitos, (2006) ‎ é a obra que Klinger Carvalho apresenta na exposição CASA/CORPO como a representação de suas impressões sobre a paisagem urbana.



Laura Cattani e Munir Klamt – Grupo-Ío – apresentam espetáculos multimídias e exposições que desenvolvem uma narrativa visual baseada na biografia de um personagem pinçado nos arquivos da história local: A. Hilzendeger Feltes. Dentro dessa proposta desenvolvida desde 2003, os dois artistas utilizam vários elementos relacionados à imagem da casa, como móveis e roupas do vestuário feminino e masculino, para compor uma fábula repleta de reminiscências do corpo em uma atmosfera onírica.

Na exposição CASA/CORPO, Laura Cattani e Munir Klamt apresentam a videoinstalação A Quarta Parede (2005), uma colagem de imagens que desvendam o interior de casas vazias, escuras e abandonadas, e Galho Fumante (2008), uma instalação em que um manequim de roupas é vestido com galhos e pedaços de árvores.


Luciano Zanette e Gabriela Picoli realizam instalações que utilizam esculturas elaboradas a partir de móveis e intermediadas por imagens fotográficas; obras que possuem referências diretas do corpo e acima de tudo, densas reflexões sobre as relações humanas. Em 2005, os dois artistas apresentaram a instalação conjunta O Estado Amoroso e a Melancolia em que o elemento principal – construído com dois genuflexórios de igreja – lembrava o formato de uma cama; uma proposta rica em metáforas sobre a relação corpo individual/corpo coletivo. Para adensá-la, as fotografias de Gabriela Picoli mostravam detalhes do corpo humano, pontuando dramaticamente o espaço expositivo.

Na CASA/CORPO, Luciano Zanette apresenta a escultura intitulada Casa-Trabalho construída com madeira e asfalto. Gabriela Picoli, por sua vez, expõe fotografias com formas abstratas com conotações orgânicas e outras, com detalhes do corpo.


Marcelo Gobatto, videoartista, professor, produtor e diretor de vídeo desde 1990; doutorando em Poéticas Visuais no Instituto de Artes da UFRGS; integrante do grupo P.O.I.S, juntamente com Luciano Zanette e Claudia Paim. Suas obras elaboram fundamentalmente a questão do tempo. Na exposição CASA/CORPO, Gobatto apresenta a videoinstalação Experimento Corpo um (2008) que explora as características arquitetônicas do próprio lugar da exposição e ao mesmo tempo, as questões do espaço-tempo.


Dione Veiga Vieira iniciou carreira como pintora e desenhista no início dos anos ’80. A partir do ano 2000, passa a realizar esculturas com materiais diversos e com aspecto orgânico. Em 2002, apresentou O Corpo Invisível, uma instalação que ocupou o espaço interno de uma capela e que se constituiu predominantemente de mangueiras plásticas que se projetavam das paredes, em uma representação pungente de um corpo-casa. As instalações posteriores desenvolveram essa proposição casa & corpo concomitantemente à poética da ausência do corpo através do uso de móveis, objetos e fotografias.

Na exposição CASA/CORPO, Dione apresenta a Casa-Corpo: a ante-sala e sala de recepção; uma instalação de objetos construídos com móveis em cor preta, louças brancas e artefatos metálicos, prosseguindo assim, com as metáforas de presença/ausência.


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Desenho de Munir Klamt para o convite da exposição CASA/CORPO, 2008.

CASA/CORPO



Dione Veiga Vieira / Klinger Carvalho / Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo-Ío)/ Marcelo Gobatto/ Gabriela Picoli e Luciano Zanette




Visitação : 10 de Junho a 02 de julho de 2008


Conversa com os artistas: 26 de junho (quinta-feira), às 19h.


Local: Galeria de Arte do DMAE
Rua 24 de Outubro, 200 – CEP 90510-000
Porto Alegre / RS
(51) 3289 9722


http://www.dmae.rs.gov.br/
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Abertura da Exposição

A abertura da exposição CASA/CORPO ocorreu no dia 10 de junho, às 19h, na Galeria do DMAE, em Porto Alegre. A mostra é desdobramento de uma outra realizada no início do ano: Casa Fechada, quando Dione Veiga Vieira, a convite da Galeria Gestual, reuniu os artistas Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo-Ío), Klinger Carvalho, Marcelo Gobatto, Gabriela Picoli e Luciano Zanette na proposta de explorar as metáforas casa & corpo. Agora, os mesmos artistas voltam se reunir em torno do mesmo tema, em diferentes suportes e linguagens. Vídeosinstalações, esculturas e instalações exploram elementos referentes à imagem da casa como reflexos da presença/ausência do corpo.
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A Galeria de Arte do DMAE fica na Rua 24 de Outubro, 200, fone (51) 3289-9722 . A visitação pode ser feita até 2 de julho, de segundas a sextas, das 8h às 17h30min. No dia 26 de junho, às 19h, haverá um encontro com os artistas no local.
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