24.11.08

A Casa é o Corpo

Lygia Clark. “A Casa é o Corpo: Labirinto”, 1968. Reprodução fotográfica de Elisa Guerra e Vicente de Mello in MILLIET, Maria Alice. 1992. “Lygia Clark: obra-trajeto”. São Paulo, EDUSP. Imagem pertencente ao Centro de Documentação do MAM-RJ.

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20.6.08

Experimento Corpo Um


Marcelo Gobatto. Experimento Corpo Um, 2008. Imagens da videoinstalação na Galeria de Arte do DMAE - Exposição CASA/CORPO.








Marcelo Gobatto trabalhando na videoinstalação Experimento Corpo Um, em 06 de junho de 2008.



Experimento Corpo Um, 2008 de Marcelo Gobatto: o aproveitamento do detalhe arquitetônico da sala onde portais ou pórticos ganham relevo nas paredes e se multiplicam a espaços regulares. No espaço sacrossanto (a brancura rígida prestes a receber o inscrição-pichação) de um desses portais, Gobatto escreve ou rasura a carvão a sua página visual “demoníaca”, escritura do tamanho e da envergadura do corpo, palavra física, que se apaga pelo acúmulo, pela redundância babélica do letrismo gesticulatório e jaculatório. Sentidos que subsumem na pele desse palimpsesto que sai do ar livre das ruas e vem parar, agora embalsamado e um pouco a contragosto, no espaço fechado da galeria. Ao pé dessa parede da épica urbana e sem enredo, o ruído sonoro-visível de um monitor de vídeo de costas para o visitante e de frente para um espelho. Fracasso da comunicação: na totalidade o ilegível da e na parede. Narciso ensimesmado: o cristal da tela do monitor contra um espelho posicionado de modo a não representar o mundo circundante, mas apenas o minimalismo e o descontato de uma pré-imagem entrópica." (Ronald Augusto em Estados de Corpo).

---------------------Marcelo Gobatto. Experimento Corpo Um, 2008. Vista parcial da videoinstalação na Galeria de Arte do DMAE. Abertura da exposição CASA/CORPO.

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16.6.08

Gabriela Picoli

Gabriela Picoli. Fotografia.


Gabriela Picoli. Fotografias. Vista parcial da exposição CASA/CORPO.



"Quanto às fotografias de Gabriela, elas têm como elemento dominante o corpo humano. Este conjunto de imagens teve seus limites determinados por escolhas formais da artista. Elas nos lembram de como este corpo é moldável, adaptável e sempre rico em possibilidades. Às vezes, é um corpo passivo que sofre intervenções na busca de assumir outra forma (quando mantém impressas na pele as marcas destas interferências). Outras vezes, é ativo e acolhe objetos, desenvolve gestos e assume posições. (Claudia Paim, 2005. Trecho do texto "Do estado amoroso à melancolia e vice-versa" no folder da exposição O Estado Amoroso e a Melancolia).
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14.6.08

Klinger Carvalho

Klinger Carvalho. Variação em Vermelho – O Viajante percorre Territórios Incógnitos, (2006). Vista parcial da obra no espaço da Galeria do DMAE. Exposição CASA/CORPO.
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"Variações em vermelho - o viajante percorre territórios incógnitos de Klinger Carvalho: mausoléu, jazigo de Exu-Bará; despacho e monumento a Hermes, a divindade grega equivalente ao orixá que preside as zonas de fronteira e as encruzilhadas. Objetos rubros empilhados como que a espera de um traslado. Por isso, convoco Exu e Hermes, entidades do trânsito, da troca, das transações semióticas. Um gradeado pontiagudo interditando a visitação de outros corpos de passagem pelas imediações. O contato só visual; textura intocável do madeirame. Materialidade vermelha na consecução de uma fantasia objetal. Holocausto à vermelhidão, ao apetite dos espíritos, já que, apenas eles podem atravessar o cercado lanceado para beber, na superfície dos objetos, o sangue resolvido numa mise-en-scène congenial à cenografia da tragédia." (Ronald Augusto em Estados de Corpo).
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Dione Veiga Vieira

Dione Veiga Vieira. Casa-Corpo - Ante-Sala e Sala de Recepção, 2008. Vista parcial da instalação.



"E, por fim, Ante-sala e sala de recepção de Dione Veiga Vieira: a artista demarca um espaço sacrificial para o corpóreo; o elogio erótico e necrópsico da carne. No entanto, resta um ar espiritual aos instrumentos que promovem o desmanche do corpo animal. Um mundo invisível na escureza dos objetos em negro, iluminados parcialmente pelo prateado das peças metálicas: ganchos, afiador, talheres, etc. O onirismo planificado do não-boi encarnado na metonímia de uma par de chifres imensos, priápicos, que fazem, por sua vez, o contraponto com as meias femininas, preenchidas com pequenas peças de vidro: pornografemas, desejo em secções. O não-boi: a mesa em brilhante pelagem negra, macia; o assentamento matemático e surreal de coisa quadrúpede. O conjunto projetado por Dione alude a salas perversas que em sua árdua beleza e em sua precisão à maneira bauhaus, parecem aguardar o peso, a gravidade de corpos em postas, em pêndulos, dependuradas em meias, em pequenos ganchos argênteos, prosaicos e delicados, não obstante o torturante a que fazem alusão. Paixão ou mortificação dos significados. Mas, por outro lado, esses ganchos também estão ali como que à espera de sentidos, significações. Neles o fruidor (agora, essa palavra beira a condição de compósito verbal e suporta uma acepção quase intolerável) poderá dependurar, se assim o desejar, sua vontade de interpretação. A ausência da coisa demanda uma enfiada de nomes possíveis que lutam entre si na tentativa de substituí-la." (Ronald Augusto em Estados de Corpo).


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Luciano Zanette

Luciano Zanette. Casa-trabalho, 2008. madeira e asfalto. Obra no espaço da Galeria do DMAE. Exposição CASA/CORPO. Imagem de Luciano Zanette.

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Casa-trabalho metáfora de um corpus social
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Seria completamente injusto nos determos somente nas questões formais da obra Casa-trabalho de Luciano Zanette, pois nela podemos observar nitidamente – além de um preciso projeto estrutural e da instigante textura proveniente do asfalto aplicado sobre a madeira – uma poética vigorosa sobre a dicotomia corpo individual & corpo coletivo, realizada de maneira competente pelo artista. Sobre uma antiga escrivaninha – objeto esse que pode nos remeter de imediato tanto à labuta do “estudo” quanto à labuta do “trabalho” – ergue-se imponentemente, a forma basilar de uma casa. Devemos nos deter no importante detalhe de que a casa está sobre uma escrivaninha que apresenta na lateral direita, seis (6) pequenos compartimentos vazios pela ausência das gavetas – vãos esses que parecem formar os degraus de uma escada. É exatamente esse detalhe que enriquece a alegoria construída por Zanette, e que nos leva à reflexão do sistema do Trabalho compreendido não somente como a base do sustento humano, mas como meio de cumprir/escalar etapas e adquirir status na sociedade organizada. Na Casa–trabalho, a casa repousa sobre os alicerces e os patamares (das divisões hierárquicas?) do trabalho representado pela escrivaninha e seus vãos-de-gavetas; – ou, sobre a sua própria "escada". Ou seja, a atividade profissional (ou, a escrivaninha) sustenta o arcabouço da casa (uma estrutura fechada) na sua função de abrigo e, ao mesmo tempo, se mostra (metaforicamente) como uma "escalada" para a aquisição e manutenção desse e de outros bens materiais. Casa–Trabalho é uma Casa/corpo que reflete poeticamente as engrenagens da *sociedade do trabalho. (Dione Veiga Vieira - agosto 2008).
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*"A chamada sociedade do trabalho é uma construção social constituída por homens e mulheres no curso do processo de reprodução de sua vida material, na interação social e com a natureza. A sociedade capitalista em que vivemos é uma "sociedade do trabalho" sob a forma social determinada da acumulação do capital". Fonte: Ciência e Cultura.



Laura Cattani e Munir Klamt – (Grupo-Ío)


Laura Cattani e Munir Klamt. Miasmas, 2008. Vista parcial da instalação no espaço da Galeria do Dmae - exposição CASA/CORPO. Nas paredes laterais; desenhos de Klinger Carvalho.


"Miasmas de Munir Klamt e Laura Cattani: o leito resumido à sua estrutura sem carne; a cama flutua no ponto cardeal da exposição. Imagem do sono onde o corpo como que se vaporiza. Alusões ao sonho, ou bem ao pesadelo, pois sobre a cama de ferro (metáfora do espesso entressonho que toma o visitante-espectador?), espécie de esqueleto de uma máquina inconclusa e à deriva, sobram segmentos de espuma-esponja num arranjo que confere ao material um movimento encapelado de ondas-colchões. A turbulência estática do corpo virtual no vazio sem peso e sem fundo de um sono sombrio." (Ronald Augusto em Estados de Corpo).
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